<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752</id><updated>2011-07-28T23:58:55.648-07:00</updated><title type='text'>sobre a palavra dO Olhar</title><subtitle type='html'>...e estarei aqui, as vezes, de repente, para dizer ou mostrar coisas que, talvez-quem-sabe-para-quem-?-, possam fazer sentido. quem sabe possa trazer cores, linhas e letras. quem sabe possa ...

Declaro, assim, aberto, etc. e tal...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' 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para cima faça cena &lt;br /&gt;cante as rimas de um poema &lt;br /&gt;sofra penas viva apenas &lt;br /&gt;sendo só fissura ou loucura &lt;br /&gt;quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura &lt;br /&gt;faça uma novena reze um terço &lt;br /&gt;caia fora do contexto invente seu endereço &lt;br /&gt;a cada mil lágrimas sai um milagre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas se apesar de banal &lt;br /&gt;chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal &lt;br /&gt;sinta o gosto do sal &lt;br /&gt;gota a gota, uma a uma &lt;br /&gt;duas três dez cem mil lágrimas &lt;br /&gt;sinta o milagre &lt;br /&gt;a cada mil lágrimas sai um milagre&lt;br /&gt;cante as rimas de um poema &lt;br /&gt;sofra penas viva apenas &lt;br /&gt;sendo só fissura ou loucura &lt;br /&gt;quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura &lt;br /&gt;faça uma novena reze um terço &lt;br /&gt;caia fora do contexto invente seu endereço &lt;br /&gt;a cada mil lágrimas sai um milagre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, sempre me achei um sujeito racional. Isso sempre foi claro para mim. Obviamente que não sou de pedra, nem de aço. Ser racional não quer dizer ser duro ou insensível. Acredito que sei me doar, me deixar levar pelo que sinto. Mas ultimamente tenho estado muito frágil. Tenho me sentido pouco dono de mim. Dia desses, chorei a ponto de me constranger, e tentar controlar as lágrimas quando elas se acumulam em baldes... tentar impedir que escorram quando fazem pressão para ensopar a alma, para mim foi impossível...&lt;br /&gt;Lembro-me que quando eu era pequeno eu chorava fácil, era muito doído de sentimentalismo, me ofendia por qualquer leve agressão. Mas quando eu chorava, eu lembro que eu gostava de chorar, gostava de sentir o gosto da dor estampado em meu rosto, gostava de olhar no espelho e ver, cara a cara, as transformações advindas do estado de dor. Mas eu me lembro, que quando eu me olhava no espelho eu sentia que aos pouco as lágrimas iam sanando, e não era isso que eu queria... eu queria poder vê-las, aos jatos, escorrendo de mim, como seu eu pudesse admirar a minha própria dor.  Não a dor física, essa eu sempre detestei, mas a dor de verdade.&lt;br /&gt;Com o tempo, essa minha admiração narcisista pela dor foi desaparecendo, ao menos da minha consciência. Esse gosto pelas lágrimas foi aos poucos dando lugar a um estado de pseudo equilíbrio racional, e eu fui acreditando na racionalidade como solução. &lt;br /&gt;Não embrutecido e amargo, mas reflexivo...&lt;br /&gt;Claro que derramei lágrimas pelos caminhos que trilhei. Sofri, desesperei-me e chorei um bocado. Mas não me lembro de muitas ocasiões assim... algumas.&lt;br /&gt;Dia desses, porém, sofri algo como uma epifania na narrativa de minha vida. Alguma coisa dentro de mim transformou-se em uma bolha que surge de uma pequena ferida, mas vai se enchendo de água e sal até recobrir todos os meus órgãos e explodir pelos meus olhos. E controlar o vazamento dessa bolha, não é algo em questão... ela exige escorrer até que lave tudo.&lt;br /&gt;E olhar no espelho, como fazia quando era criança, agora não é mais tão engraçado. Não quero mais me ver como um outro para quem eu olho e faço tudo sanar pela força da razão. Quero pensar nas configurações do meu eu, sendo eu mesmo.  Não quero parar de chorar, mas quero pensar e repensar os parâmetros que movem as lágrimas. &lt;br /&gt;Quando lavo algo, gosto que o tecido não fique comprometido, e gosto de tirar a sujeira e não escondê-la.  &lt;br /&gt;Que o gosto do sal de agora não me seduza pela beleza da dor, mas ative as sensações e as reflexões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-2058620745525121033?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/2058620745525121033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=2058620745525121033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2058620745525121033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2058620745525121033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2009/02/milagrimas-e-pensar.html' title='&lt;strong&gt;Milágrimas e pensar&lt;/strong&gt;'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-4114590826118026118</id><published>2009-02-23T20:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T20:58:27.334-08:00</updated><title type='text'>A DANÇA ENTRE GRADES DE GISELA</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.vitruvius.com.br/drops/drops13_04_01.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 448px;" src="http://www.vitruvius.com.br/drops/drops13_04_01.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria trazer-te uns versos muito lindos&lt;br /&gt;colhidos no mais íntimo de mim...&lt;br /&gt;Suas palavras&lt;br /&gt;seriam as mais simples do mundo, &lt;br /&gt;porém não sei que luz as iluminaria&lt;br /&gt;que terias de fechar teus olhos para as ouvir...&lt;br /&gt;Sim! Uma luz que viria de dentro delas,&lt;br /&gt;como essa que acende inesperadas cores&lt;br /&gt;nas lanternas chinesas de papel!&lt;br /&gt;Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas&lt;br /&gt;do lado de fora do papel... &lt;br /&gt;(Mário Quintana)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumamos atribuir valor semântico poético a diversas coisas que não são exatamente a poesia em forma literária. Tomamos o efeito de sentido, envolvente e desestruturante, que a poesia causa e aplicamos ao mundo, à vida, aos homens e aos objetos que nos cercam. É como escutar a voz doce, suave e, por vezes, desconcertante de Quintana, nos falando sobre as cores, os sons e os traços de nosso mundo.  É como olhar para o mundo, notar nele a agudez rígida que denota, mas ainda assim extrair dessa observação cores suaves e delicadas. &lt;br /&gt;Essa questão nos é explicitada por Quintana no poema que tomo como epígrafe. O eu do poema quer buscar dentro de si uma força que de tão grande e implacável seja simples. Algo que diga tanto quanto o próprio sentido do dizer pouco. Mas, no entanto, limita-se pelas arestas rudes do mundo. E essa limitação não é em nada negativa, é só uma constatação do inevitável. Parece-me que um universo de questões muito próximas a essas estão presentes no trabalho de Gisela Waetgne, que compactua da força dinâmica da poesia de Quintana e concebe em sua obra esse mesmo efeito lírico.&lt;br /&gt;Visitamos(Grupo da pós-graduação em Artes Visuais durante a disciplina Leitura da obra de Arte, ministrada pela professora Monica Zielinsky) o atelier de Gisela numa tarde na qual a artista se dispôs a mostrar-nos seus trabalhos. Buscou certa cronologia dentro de sua produção, e nos chamou a atenção para o seu caminho enquanto artista, tanto do ponto de vista do processo em si quanto dos embates íntimos da própria artista em relação a ele. Gisela mostrou-nos alguns de seus trabalhos reconhecidos, mas também compartilhou conosco obras em processo, as quais ainda não têm um fim determinado podendo, na concepção da artista, tornarem-se ou não obras. A produção de Gisela é constituída por objetos, desenhos e, em sua maioria, pinturas de grande dimensão, recorrentemente permeados por uma espécie de trama, bastante gráfica, constituída por um quadriculado cartesiano ao qual são aplicadas cores em tons pastel. &lt;br /&gt; Essa questão de conhecermos as obras em seu ateliê, ou seja, não exatamente no local que legitima institucionalmente a produção, mas no espaço de criação, aliada a outro ponto com relação ao quê a artista considera e o quê ainda não considera obra, pareceu-me uma problemática bastante relevante para ser refletida em relação à dicotomia entre autor e obra. Para elucidar tal questão, chamo as idéias de Michel Foucault(2001), no texto “O que é um autor?”, conferência feita em 1969, na Sociedade Francesa de Filosofia. Nesta polêmica reflexão, Foucault levanta o questionamento acerca do que vem a ser uma obra e do que vem a ser um autor. Segundo Foucault, um autor não seria necessariamente uma pessoa cotidiana, mas uma espécie de filtro preocupado com a existência, a circulação e o funcionamento de certos discursos no interior da sociedade (2001, p. 274). A preocupação com o modo de articular esses discursos é que resultaria na obra, tendo uma ênfase maior para sua exterioridade do que para sua interioridade, no sentido de que buscaria a sua essência nessa articulação discursiva e não na expressão íntima. Segundo as palavras de Foucault, “ela [a obra] é um jogo de signos comandado menos por seu conteúdo significado do que pela própria natureza do significante”(2001, p.268). Com tais colocações, o filósofo desmonta a questão do artista enquanto gênio, ou de sujeito de exceção. Foucault parece entender que o autor seria aquele que busca transgredir algo ao mesmo tempo em que leva em conta o contexto que o cerca e os discursos que constituem o seu. De modo que o trabalho artístico é entendido de forma muito mais complexa do que uma inspiração que transformaria um estímulo em obra. &lt;br /&gt; Nesse sentido, não estaria acontecendo exatamente a morte do autor, como se poderia imaginar. Foucault está desmistificando o autor gênio e autenticando o autor como articulador discursivo, esse autor que não depende de uma força individual e oculta, mas que precisa ser capaz de articular sua obra de acordo com o contexto envolvido. Quando anteriormente apontei a questão dessa dicotomia autor e obra na produção de Gisela é porque tenho sugerido que ela domina essas perspectivas foucaultianas. &lt;br /&gt; Em primeiro ponto, de acordo com o que já apontou Foucault, a produção de Gisela apresenta uma ênfase no significante. O conjunto de obras carrega uma identidade que é a questão do quadriculado. Durante a conversa, a artista não mencionou o sentido explícito desse procedimento. Somente um gosto, uma necessidade por utilizá-lo. Desse modo, pode-se notar que há uma preferência por esse elemento, que talvez só mais tarde ganhe sentidos em reflexões posteriores, mas que apresenta esse jogo discursivo de estar presente na “obra”, legitimando parte de sua existência. &lt;br /&gt; Além disso, a questão, já mencionada, em relação ao procedimento da artista ter nos mostrado o que ainda está em processo ao lado daquilo que considera acabado está também muito próxima da reflexão de Foucault. Quando Gisela nos diz que certos trabalhos estão prontos enquanto que em outros ainda permanece uma incerteza, conforme Foucault, ela não está sendo a Gisela cotidiana, simples nome próprio, ela está sendo Gisela-autora, dotada de uma função que lhe é atribuída pelas características na articulação discursiva (Foucault, 2001). Entendo que essa talvez seja a questão mais fundamental para os modos de existência da obra: saber o lugar, o momento e o tempo em que ela existe. Certamente que vários dos trabalhos de Gisela que vimos, inclusive os que estão em processo, poderiam ter sido vistos por nós em uma galeria ao invés de estarem no atelier. Mas é o fato da artista decidir o que existe e onde que tornam a ela e a sua produção, respectivamente nos conceitos de Foucault, autora e obra. &lt;br /&gt; Aliás, observar a obra de um artista dentro de seu ateliê é uma experiência muito interessante, ainda mais quando podemos conhecer, além da produção atual, uma panorâmica da produção do artista. Em um espaço de exposição, a curadoria certamente propõe uma leitura da obra. Seja por meio de um recorte específico, pela disposição das obras no espaço ou mesmo da relação com obras de outros artistas, a observação do fruidor é anteriormente discursivisada pela curadoria. Retomando mais uma vez as idéias de Foucault, pode-se dizer que a curadoria, no caso de uma exposição, também cumpre uma função de autor, uma vez que se torna espécie de filtro discursivo acerca da obra do artista exibido. Na visita ao ateliê de Gisela, suas obras foram mostradas de acordo com a fala da artista, além de estarem dispostas anteriormente, para que pudéssemos observá-las. Por mais que Gisela tenha proposto uma organização para os trabalhos, a situação de informalidade propôs algo mais orgânico do que uma curadoria em si. Essa experiência nos proporcionou uma compreensão diferenciada da obra, talvez mais completa, por termos observado um número maior de obras acompanhadas das narrativas da artista acerca das mesmas, talvez menos profunda, por termos privilegiado uma observação mais panorâmica que profunda. Mas a questão que me parece interessante é notar a diferença entre a acessibilidade direta à obra e a acessibilidade discursivisada por uma curadoria. Não que uma seja melhor que a outra, embora muitas vezes a curadoria ilumine caminhos para ler a obra, mas essa experiência no ateliê de Gisela possibilitou enxergar a obra dentro de uma essência íntima, e extremamente próxima da artista enquanto sujeito, e não somente como autora.&lt;br /&gt; Talvez, nessa essência, os sentidos tenham sido provocados por um viés intimista. Tanto a poesia de Quintana quanto a obra de Gisela Waetge falam sobre a busca por uma delicadeza colorida que compactua um afeto íntimo, e nesse jogo fazem analogia ao contexto, assim como acabam problematizando a própria linguagem empregada, gerando uma metalinguagem. Dentre os diversos sentidos possíveis, Quintana acaba falando sobre a própria poesia, Gisela sobre a pintura. Parece-me que a artista, assim como Foucault que nos questiona instigando a reflexão, convida a refletir sobre o que vem a ser uma pintura. E, além da problematização desse limite, outras parecem surgir.&lt;br /&gt;A trama quadriculada, formada por retas paralelas e perpendiculares, prepara uma estrutura rígida, cartesiana, racionalista, que se comporta como grades que impedem de se ir além, mas que ao mesmo tempo protegem, sendo demarcações do inevitável, como aqueles limites íntimos que parecem maior do que nós mesmos e aos quais não ousamos romper por razões pré-determinadas. As “redes” de Gisela parecem delimitar o contexto no qual sua obra se insere que é esse contexto industrializado por uma trama rígida. No entanto, o que se desenvolve dentro dessa estrutura é absolutamente surpreendente. Ao longo dos trabalhos, a artista compõe métodos diferenciados de aplicação de cor por entre o quadriculado. Ora, aplica gotas de tintas que deixa escorrer, formando outras linhas verticais, junto com aplicação de água, que também escorre pela tinta alternado o tom da pigmentação. Ora, aplica gotas de tinta que faz escorrer em um jogo vertical e horizontal. Os tons das tintas são na maior parte das vezes suaves e diversos, formando um colorido de puro encanto aos olhos. Gisela trabalha as cores com enorme musicalidade, propondo uma harmonia formada por tons consonantes, ordenados por um ritmo incessante. Nessa metáfora, a ação de Gisela ao pintar transforma-se em uma coreografia de dança. Seus movimentos desafiam os limites da estrutura cartesiana, dançando de modo ritmado. As cores aplicadas pela artista ressaltam a liberdade e a intensidade possível dentro das limitações pré-determinadas. É a força poética que ressalta de suas estruturas, instigando, a partir de jogos superpostos de linhas, a reflexão sobre o artista, a pintura e a força significativa da arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências&lt;br /&gt;FOUCAULT, M. O que é um autor?. IN: FOUCAULT, M. Estética: literatura e pintura, música e cinema. Rio de Janeiro, São Paulo: Forense Universitária, 2001. Ditos e escritos III. Pág. 264-298.&lt;br /&gt;QUINTANA, M. Quintana de bolso. Seleção Sérgio Faraco. Porto Alegre: L&amp;M Pocket, 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-4114590826118026118?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/4114590826118026118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=4114590826118026118&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/4114590826118026118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/4114590826118026118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2009/02/danca-entre-grades-de-gisela.html' title='A DANÇA ENTRE GRADES DE GISELA'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-8907690875780012577</id><published>2009-02-23T20:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T20:53:12.691-08:00</updated><title type='text'>UM OLHAR PARA HUDINILSON: NARCISIMO E A MÁQUINA DO TEMPO</title><content type='html'>&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/4067218.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 287px;" src="http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/4067218.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A questão do olhar na arte contemporânea é bastante desafiadora.  Por vezes vemos demais, e sofremos de um eufemismo esvaziado, enquanto em outras, vemos tão pouco que acabamos por esvaziar o contato que a obra pode gerar. Talvez esse olhar fique ainda mais perambulante quando, mesmo contemporânea, a produção artística distancie-se de seu contexto de criação. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a obra produzida a partir de uma realidade local, é mostrada desconectada de seu meio, ou quando a obra filia-se a um momento histórico e é exibida em outro. Obviamente que existem diversos contextos possíveis para uma obra. E, em alguns casos, a problemática do contexto torna-se um dos sentidos da própria obra. É isso que parece acontecer com a produção de Hudinilson Jr., mostrada na exposição que leva seu nome no Espaço Zero, com curadoria de Ana Albani de Carvalho e Neiva Bohns. As obras exibidas pela curadoria fazem parte do acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos, a qual também é a mantenedora da galeria. &lt;br /&gt; As questões relacionadas ao contexto, na exposição, estão marcadas principalmente por dois pontos em relação às obras: o modo de exibi-las e a distância entre os momentos da produção e da exibição das mesmas. Para aguçar a discussão desses pontos, é conveniente retomar aqui uma reflexão de Jonathan Crary  acerca das noções de atenção e distração. Crary aborda tais noções ao refletir sobre a visão na segunda metade do século XIX, e mostra o quanto se modificou a conceitualização dessas noções à medida que a sociedade foi alterando-se e, conseqüentemente, alterou a relação entre a atenção e a distração. Para Crary, a lógica cultural do capitalismo modifica, e isso é inegável, toda a configuração da visualidade. Ou seja, a circulação acelerada que se torna mais e mais freqüente com a efervescência industrial, faz com que a focalização da atenção, antes voltada a uma sociedade configurada por uma visualidade menos veloz, sofra um choque.  Para retomar de forma breve as reflexões de Crary, servindo como partida para uma observação acerca da exposição, cito um breve trecho no qual o autor conclui algumas idéias refletindo o final do século XIX: &lt;br /&gt;A atenção e a distração não eram dois estados essencialmente diferentes, mas existiam em um único continuum, e a atenção era, portanto, como a maioria cada vez mais concordou, um processo dinâmico, que se intensificava e diminuía, subia e descia, fluía e refluía de acordo com um conjunto indeterminado de variáveis (CRARY, 2001, P. 87).  &lt;br /&gt;Bem, diante de tais apontamentos, seria importante destacar que as diferenças entre atenção e distração não são necessariamente de uma ordem na qual uma é mais importante do que a outra, porém da ordem em que a atenção reflete um foco mais pontual enquanto que a diminuição dela, sendo a distração, amplia esse foco tornando-o mais panorâmico. &lt;br /&gt;Agora voltando a atenção para a exposição de Hudinilson Jr., vejamos o que antes apontei acerca do contexto. A produção do artista, exibida na exposição, é divida em três salas. A sala principal é constituída basicamente por imagens, agrupadas por moldura, resultado da fotocópia de fragmentos do corpo nu do artista, fragmentos esses que foram expostos sobre a máquina, pelo artista, na intenção de fotocopiar-se, assim como fotografias tiradas ao longo do processo de auto-fotocópia do artista, que são exibidas também depois de xerografadas. Ainda na mesma sala, também são exibidos registros de outras ações do artista, assim como fragmentos de seus livros de bordo. As outras salas parecem menos importantes, sendo uma ante-sala com portfólios do artista juntos de um vídeo de uma performance, também de temática corporal, e a outra composta por uma série de recortes, principalmente de homens nus, junto de algumas peças de roupa e calçado que são recobertos por látex e acrílico. A observação que segue estará mais centrada na sala principal, na qual parece estar uma parte mais representativa da obra do artista.&lt;br /&gt;Como já dizia anteriormente, a questão do contexto da obra aparece sob dois aspectos. O primeiro deles refere-se à questão do modo de exibição, talvez escolhido pela curadoria, dos trabalhos. O trabalho do Hudinilson filia-se a uma busca, bastante recorrente na arte contemporânea, de subversão temática e estrutural. Tal subversão apresenta-se na exposição do corpo nu, na fragmentação do corpo, na fragmentação e repetição das imagens, na técnica pouco convencional. A grande questão é que parece que o conjunto de obras da exposição, e agora chamando as idéias de Crary, de um modo geral deveriam apontar para uma distração, em relação ao conjunto de obras do artista, uma vez que se configura como um olhar panorâmico para a produção. A exposição apresenta fragmentos da obra do artista, e não se vê a totalidade do trabalho, mesmo porque se apresenta um recorte que é o da coleção da fundação citada. A questão que gera um desacordo com essas outras apontadas é o fato de que o modo escolhido para se exibir as imagens cria certa tensão que parece nem sempre fazer parte do próprio trabalho. O agrupamento em blocos de imagens fechados por uma moldura alude a uma atenção, no sentido de Crary, que talvez crie certo atrito em relação ao recorte panorâmico da obra.  Não digo, contudo, que o trabalho não deveria gerar atenção no momento do olhar, porém os agrupamentos de imagens impedem a naturalidade da atenção para uma imagem específica, forçando a atenção para o grupo delimitado. Desse modo, o choque entre atenção e distração gerado pelo modo de mostrar o trabalho, em certo aspecto, compromete certo jogo de atenção e distração inerente ao trabalho em si.&lt;br /&gt;A segunda observação surge da constatação de que, observando as imagens certamente é a questão da fotocópia, feita por uma máquina de Xerox, que chama o olhar para a reflexão. É nesse sentido que se instaura a questão entre quais foram os sentidos do trabalho de Hudinilson Jr. no momento da produção e quais serão agora. A priori, é possível supor nas imagens que Hudinilson não escolheu sistematicamente cada parte de seu corpo e cada posição exposta sobre a máquina e nem planejou metodicamente cada um dos resultados, de modo que o processo construiu-se sob uma distração, embora tivesse como pressupostos dois pontos de grande atenção. Um deles certamente é o corpo. Hudinilson está rodeado por um contexto de ditadura militar, de repressão. A busca pela liberdade corpórea vem como um modo de reagir a esses impedimentos que são determinados pelo sistema. Para isso, Hudinilson busca o narcisismo como modo de expor aquilo que obrigatoriamente deveria ser resguardado. Sendo assim, a exibição do próprio corpo funciona com uma atenção em discutir os limites possíveis para mostrar um corpo, num momento em que a liberdade de expressão estava comprometida. E, como outro ponto de atenção, não se pode deixar de negar a própria máquina de Xerox, instrumento recém chegado no Brasil na década de 1970, e que proporciona ao artista uma técnica altamente tecnológica. Desse modo, Hudinilson carrega de atenção esses dois pontos discursivos e distrai-se em fotocopiar-se. &lt;br /&gt;Acontece que a carga simbólica dessa subversão proposta, tanto na técnica de poder tecnológico, quanto no grito de liberdade da exibição do próprio corpo nu, tem seu cume significativo nas décadas de 1970 e 1980. Depois disso, a ditadura militar se encerra no Brasil, a liberdade volta a ser comum e a máquina de Xerox torna-se corriqueira, obsoleta como avanço tecnológico. No entanto, estas ligações com o contexto ao invés de se tornarem um problema para a permanência da obra, podem sugerir outra interpretação, que faz com que a produção aconteça ainda hoje, e não seja apenas documentação de algo que foi no momento do surgimento. E, curiosamente, a questão que faz com que o trabalho continue mantendo forte a atenção está ainda vinculada ao corpo e à máquina de Xerox, porém em uma espécie de renovação dos sentidos.&lt;br /&gt;Hoje em dia, quando pegamos um papel fotocopiado, qual é o valor que se atribui a ele? Certamente não o consideramos um documento de grande valia, nem mesmo atribuímos a ele importância perene. É frágil, passageiro, e com tempo de vida determinado. Agora vejamos, Hudinilson imprimiu seu corpo nesse papel. Em um momento que a fotocópia era um instrumento jovem, altivo, tecnológico, assim como o corpo de Hudinilson o era. No entanto, diferentemente do que ocorreria com a fotografia, os sentidos do corpo do artista na fotocópia não permanecem perenes. Com o passar dos tempos, o envelhecimento, inevitável ao corpo humano, também vem marcando-se no registro de seu corpo em Xerox. E quando se olha para a fotocópia, hoje, um paradoxo se deflagra: fragmentos de um corpo atlético, jovem apresentam-se num papel frágil, volátil, mortal. Sendo assim, o passar do tempo fica marcado através daquilo que uma impressão de Xerox fazia surtir em sentidos naquele momento e o que a cópia representa hoje. De tal modo que essa questão é inevitável quando focamos nosso olhar atenciosamente para a relação estrutura e tema da obra.&lt;br /&gt;Nos dias de hoje, Hudinilson apresenta-se como o Narciso que não foi ao encontro de si mesmo, mas que continua acompanhando o passar do tempo e o envelhecer da estrutura na qual vê seu corpo representado. Nesse sentido a máquina de Xerox funciona como uma máquina do tempo, que não impede o tempo de passar, mas que, ao contrário, marca a sua passagem. A passagem do tempo não está expressa no corpo diretamente, mas na atenção do olhar para ele. E, ao mesmo tempo em que gera instabilidade para o corpo que se torna escravo do tempo, como o é para todos os seres humanos, essa questão atribui certa universalidade ao trabalho do artista, ao menos enquanto o toner do Xerox permanecer marcado no papel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-8907690875780012577?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/8907690875780012577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=8907690875780012577&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/8907690875780012577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/8907690875780012577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2009/02/um-olhar-para-hudinilson-narcisimo-e.html' title='UM OLHAR PARA HUDINILSON: NARCISIMO E A MÁQUINA DO TEMPO'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-5481898510635508399</id><published>2008-02-07T08:31:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T09:01:10.389-08:00</updated><title type='text'>Hilda, adoro histórias com fundo moral!</title><content type='html'>&lt;a href="http://revistacult.uol.com.br/website/images/website/hilda%20hilst3bx.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://revistacult.uol.com.br/website/images/website/hilda%20hilst3bx.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A rainha careca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilda Hilst&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cabeleira farta&lt;br /&gt;de rígidas ombreiras&lt;br /&gt;de elegante beca&lt;br /&gt;Ula era casta&lt;br /&gt;Porque de passarinha&lt;br /&gt;Era careca.&lt;br /&gt;À noite alisava&lt;br /&gt;O monte lisinho&lt;br /&gt;Co'a lupa procurava&lt;br /&gt;Um tênue fiozinho&lt;br /&gt;Que há tempos avistara.&lt;br /&gt;Ó céus! Exclamava.&lt;br /&gt;Por que me fizeram&lt;br /&gt;Tão farta de cabelos&lt;br /&gt;Tão careca nos meios?&lt;br /&gt;E chorava.&lt;br /&gt;Um dia...&lt;br /&gt;Passou pelo reino&lt;br /&gt;Um biscate peludo&lt;br /&gt;Vendendo venenos.&lt;br /&gt;(Uma gota aguda&lt;br /&gt;Pode ser remédio&lt;br /&gt;Pra uma passarinha &lt;br /&gt;De rainha.)&lt;br /&gt;Convocado ao palácio&lt;br /&gt;Ula fez com que entrasse&lt;br /&gt;No seu quarto.&lt;br /&gt;Não tema, cavalheiro,&lt;br /&gt;Disse-lhe a rainha&lt;br /&gt;Quero apenas pentelhos &lt;br /&gt;Pra minha passarinha.&lt;br /&gt;Ó Senhora! O biscate exclamou.&lt;br /&gt;É pra agora!&lt;br /&gt;E arrancou do próprio peito&lt;br /&gt;Os pêlos&lt;br /&gt;E com saliva de ósculos&lt;br /&gt;Colou-os&lt;br /&gt;Concomitantemente penetrando-lhe os meios.&lt;br /&gt;UI! UI! UI! gemeu Ula&lt;br /&gt;De felicidade&lt;br /&gt;Cabeluda ou não&lt;br /&gt;Rainha ou prostituta&lt;br /&gt;Hei de ficar contigo&lt;br /&gt;A vida toda!&lt;br /&gt;Evidente que aos poucos&lt;br /&gt;Despregou-se o tufo todo.&lt;br /&gt;Mas isso o que importa?&lt;br /&gt;Feliz, mui contentinha&lt;br /&gt;A Rainha Ula já não chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da estória:&lt;br /&gt;Se o problema é relevante,&lt;br /&gt;apela pro primeiro passante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os versos acima foram extraídos do livro "Bufólicas", Editora Globo - São Paulo, 2002, pág. 15, que conta com ilustrações magníficas de Jaguar.Fonte: Releituras.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-5481898510635508399?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/5481898510635508399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=5481898510635508399&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5481898510635508399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5481898510635508399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2008/02/hilda-adora-histrias-com-fundo-moral.html' title='Hilda, adoro histórias com fundo moral!'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-6997805953665595302</id><published>2008-01-31T14:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T16:42:44.989-08:00</updated><title type='text'>Um viva a mim mesmo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/43012000/jpg/_43012407_sherman.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/43012000/jpg/_43012407_sherman.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lançar a verdade. Qual é o pesquisador intelectual, principalmente da área de humanas, que não se torna egocêntrico diante de sua produção? Nossa, é de muita grandeza o espaço-tempo que se ocupa na construção de uma pesquisa, por mais que ela seja sobre a-utilização-dos-períodos-compostos-na-obra-de-José-de-Alencar-:-a-complexidade-patriótica-na-estrutura-do-texto. Ainda que eu não tenha feito nenhum trabalho como esse sobre a obra de Alencar, sei que o meu trabalho não é a coisa mais importante do mundo, e também sei que ele não ajudará na cura do câncer, nem na despoluição do rio tietê. No entanto, nesta semana venho trabalhando na adaptação de minha monografia da especialização, em busca de fragmentá-la em um ou dois artigos. Puts, quando eu li todo o meu trabalho em busca de fragmentos que valeriam a pena ser exibidos fiquei tão lisongeado. É tão bom quando você distancia-se do seu próprio trabalho e pode voltar a lê-lo sem que ele faça parte de você. Obviamente que encontrei várias coisinhas que me desagradam, mas percebi uma discussão tão bacana, que me estimulei com os artigos que resultarão. É nesse sentido o egocentrismo que eu apontava. Algo que eu sei que será interessante só para alguns, mas que resume um pouco de minhas reflexões continuadas por cerca de um ano. A verdade é que muito da nossa produção intelectual é muito mais para nós mesmos do que para o outro. Se o outro puder usufrui-la, incrível, mas se ela puder refletir um pouco de nós em um determinado momento, e como estamos marcados naquele espaço, isso já será a chave do negócio. A foto acima é de Cindy Sherman, objeto de estudos do meu trabalho. Continuaremos juntos agora no mestrado. Eu, Cindy, e outros artistas. Tudo para que um ano depois da conclusão eu possa ler a minha dissertação e pensar, nossa, arrasei! Irônico, né?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-6997805953665595302?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/6997805953665595302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=6997805953665595302&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/6997805953665595302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/6997805953665595302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2008/01/um-viva-mim-mesmo.html' title='Um viva a mim mesmo!'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-7771606057849332137</id><published>2008-01-30T15:51:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T16:12:07.920-08:00</updated><title type='text'>A lista</title><content type='html'>Faça uma lista de grandes amigos&lt;br /&gt;Quem você mais via há dez anos atrás&lt;br /&gt;Quantos você ainda vê todo dia&lt;br /&gt;Quantos você já não encontra mais&lt;br /&gt;Faça uma lista dos sonhos que tinha&lt;br /&gt;Quantos você já desistiu de sonhar!&lt;br /&gt;Quantos amores jurados pra sempre&lt;br /&gt;Quantos você conseguiu preservar&lt;br /&gt;Onde você ainda se reconhece&lt;br /&gt;Na foto passada ou no espelho de agora&lt;br /&gt;Hoje é do jeito que achou que seria?&lt;br /&gt;Quantos amigos você jogou fora&lt;br /&gt;Quantos mistérios que você sondava&lt;br /&gt;Quantos você conseguiu entender&lt;br /&gt;Quantos segredos que você guardava&lt;br /&gt;Hoje são bobos ninguém quer saber&lt;br /&gt;Quantas mentiras você condenava&lt;br /&gt;Quantas você teve que cometer&lt;br /&gt;Quantos defeitos sanados com o tempo&lt;br /&gt;Eram o melhor que havia em você&lt;br /&gt;Quantas canções que você não cantava&lt;br /&gt;Hoje assobia pra sobreviver&lt;br /&gt;Quantas pessoas que você amava&lt;br /&gt;Hoje acredita que amam você&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oswaldo Montenegro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem falar o que for, mas Oswaldo Montenegro é pontual nesta letra. Quem não sofre ao pensar nessa lista? Amei esta música muito tempo antes, e agora amo ainda. Me faz pensar em todos os valores dos relacionamentos que tive, e me faz perceber  quanto de minha história e maturidade são resultado deles. Por quanto tempo pensamos que somente iríamos transferir o quarto da Aline, local de nossas mais íntimas reflexões, para qualquer outro apartamento de luxo, fruto de nossa bem sucedida carreira (hahahahahaha). A inocência de pensarmos sobre o futuro... aos 20 o primeiro carro, aos 25 apartamento, e o casamento, e as viagens. Puts, erramos feio. Mas, crescer é isso. É reconhecer na pele o que é ser adulto. Agora somos, já não nos vemos tanto. Mas pelo menos guardo em mim muito dos meus amigos amados. A pena é que, agora, nossos encontros são em ocasiões especiais, e não mais rotineiramente. Uma das coisas chatas de envelhecer...tomar rumos diferentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-7771606057849332137?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/7771606057849332137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=7771606057849332137&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/7771606057849332137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/7771606057849332137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2008/01/lista.html' title='A lista'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-1568607851514970612</id><published>2008-01-29T18:01:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T20:42:01.985-08:00</updated><title type='text'>Enfim, de volta das férias...</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.lamenha.blogger.com.br/ninguem.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.lamenha.blogger.com.br/ninguem.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu acho que não sou capaz... As vezes me sinto assim, completamente incapaz. Incapaz de escrever, de ler, de discutir, de reagir, de correr, de trabalhar. Os dias de total inércia me comovem como os filmes de Bergman. Me acalantam comos os sambas lentos e arredondados. Aliás, a palavra inércia parece sugerir a mim um quarto escuro cheio de filmes e comidas. Eu me lembro que em tempos anteriores eu sofria da terrível depressão de domingo. Logo que acordava, bem tarde e bem de ressaca, sentia o ritmo lento do meu corpo e já logo pensava na indescritível segunda-feira-cheia-de-trabalho-e-aulas-pulando-para-todos-os-lados-da-minha-manhã-tarde-e-noite. Então, minha primeira reação era sempre caminhar lentamente até o shop beef, comprar a maior marmitex com saquinho de alface acompanhando, ir até a locadora e perder algum tempo, o quanto fosse preciso, para achar aquele, sabe aquele, filme, ou aqueles. Então voltava para casa cheio de nada dentro de mim, não querendo pensar sobre o amanhã que logo viria, mas pensando exclusivamente sobre ele. Então comia até doer. Deitava em meu quarto, aproximava-me do computador e colocava os filmes, que de um em um iam tomando conta de meu tempo, até chegar no absoluto final do tempo livre. Quando olhava para o relógio e via que estava próximo da meia noite, e que a segunda estava por segundos tomando conta de mim, me lavava de angústia e tentava dormir atordoado pela idéia do não querer. Depois, no ano seguinte, tomei uma fantástica decisão de trabalhar bem pouco na segunda...quase nada. Resolvi um problema. Mas sempre possegue em mim a preguiça. Aceito-a. Pode entrar. Me tome de vez em quando. Não luto contra, acho besteira viver alucinado. Gosto dos procedimentos que sugerem um pouco a pouco. Não sou capaz de mais do que isso. Parei de escrever por um tempo. Queria voltar, mas tinha preguiça. Até que voltei. Quem sabe não retomo... sem pressão. Só sentindo o prazer de estar aqui. Sabe, a vida me tem sido tão dura ultimamente. Tem me levantado tantos muros endurecidos de concreto. Para que é que vou ficar chocando com a cabeça por eles? O melhor é ir cavando aos poucos, quando a vontade pedir. Sempre que possível tirarei férias. São ótimas para a mente. Mas quando elas acabam, aqui estou eu para marcar... Retomo sim, mas sabendo que outras férias virão, e que as segundas ferias voltarão a ser domingo.&lt;br /&gt;*Foto da obra de Leonilson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-1568607851514970612?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1568607851514970612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1568607851514970612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2008/01/enfim-de-volta-das-frias.html' title='Enfim, de volta das férias...'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-1093199220100896701</id><published>2007-12-17T18:58:00.000-08:00</published><updated>2007-12-17T19:01:06.272-08:00</updated><title type='text'>Chico - via Pol - Para Cássia e Dani</title><content type='html'>Olê, Olá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chore ainda não&lt;br /&gt;Que eu tenho um violão&lt;br /&gt;E nós vamos cantar&lt;br /&gt;Felicidade aqui&lt;br /&gt;Pode passar e ouvir &lt;br /&gt;E se ela for de samba &lt;br /&gt;Há de querer ficar&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Não chore ainda não&lt;br /&gt;Que eu tenho uma razão&lt;br /&gt;Pra você não chorar&lt;br /&gt;Amiga me perdoa&lt;br /&gt;Se eu insisto à toa&lt;br /&gt;Mas a vida é boa&lt;br /&gt;Para quem cantar&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Não chore ainda não&lt;br /&gt;Que eu tenho a impressão&lt;br /&gt;Que o samba vem aí&lt;br /&gt;E um samba tão imenso&lt;br /&gt;Que eu ás vezes penso &lt;br /&gt;Que o próprio tempo&lt;br /&gt;Vai parar pra ouvir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luar, espere um pouco&lt;br /&gt;Que é pro meu samba poder chegar&lt;br /&gt;Eu sei que o violão&lt;br /&gt;Está fraco, está rouco&lt;br /&gt;Mas a minha voz&lt;br /&gt;Não cansou de chamar&lt;br /&gt;Olê olê olê olá&lt;br /&gt;Tem samba de sobra&lt;br /&gt;Ninguém quer sambar&lt;br /&gt;Não há mais quem cante&lt;br /&gt;Nem há lugar mais lugar&lt;br /&gt;O sol chegou antes&lt;br /&gt;Do samba chegar&lt;br /&gt;Quem passa nem liga&lt;br /&gt;Já vai trabalhar&lt;br /&gt;E você, minha amiga&lt;br /&gt;Já pode chorar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-1093199220100896701?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/1093199220100896701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=1093199220100896701&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1093199220100896701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1093199220100896701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/chico-via-pol-para-cssia-e-dani.html' title='Chico - via Pol - Para Cássia e Dani'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-5991316404673890191</id><published>2007-12-16T16:46:00.001-08:00</published><updated>2007-12-16T16:46:54.662-08:00</updated><title type='text'>No vai e vem ou Ou isto ou aquilo</title><content type='html'>Eu tenho um irmão&lt;br /&gt;que foi meu irmão&lt;br /&gt;que foi meu amigo&lt;br /&gt;e  hoje&lt;br /&gt;é meu irmão, meu amigo e meu amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho amigos&lt;br /&gt;que foram amigos&lt;br /&gt;e hoje são irmãos&lt;br /&gt;assim como meu irmão é meu amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho amores&lt;br /&gt;E tenho amores que me têm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho amores que foram&lt;br /&gt;e que vêm&lt;br /&gt;Eu tenho amores que vêm&lt;br /&gt;e que não vão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vim desde lá até aqui&lt;br /&gt;E agora vou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amores de lá estão em mim&lt;br /&gt;Os amores daqui estão em mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, ainda assim, eu tenho medo da solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-5991316404673890191?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/5991316404673890191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=5991316404673890191&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5991316404673890191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5991316404673890191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/no-vai-e-vem-ou-ou-isto-ou-aquilo.html' title='No vai e vem ou Ou isto ou aquilo'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-5108342818181915489</id><published>2007-12-16T16:09:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T16:10:33.202-08:00</updated><title type='text'>Sim, a melancolia está em mim!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando eu penso em escrever, logo me vem algo ligado ao plano da melancolia. Então, pensei por um momento se isso seria vitimização. Se o culto a melancolia seria apenas fonte de inspiração íntima, ou se a melancolia é mesmo algo que me constitui. Afinal, o que é a melancolia senão uma brecha dentro de nós preenchida por um nada que de tão significativo não sabemos o real sentido. Eu não sou melancólico, eu acho. Mas eu trago a melancolia em mim. Dentro de algum lugar, tenho uma brecha preenchida por uma lava branca e inexplicável e que, volta e meia, emerge e me transborda. Na verdade, acho que todos temos. Mas o exercício de investigá-la, na tentativa de entender sobre ela o que representa em nós, ainda que saibamos nunca ser possível atingir tão complexo nível de auto-conhecimeto, nos faz um pouco tristes e maduros. Permitir-se à melancolia é saber reconhecer que ela existe, nos constitui, e é inevitável. A maturidade é pouco isso. Saber dosar parcelas saudáveis de dor sem que elas possam nos tomar por completo o tempo todo. É a busca por saber medir o quanto cada coisa pode e deve nos render de efeito. Mas a maturidade, ainda assim, não pode nos fazer absortos na racionalidade, e esse será mais um limite a ser administrado. Isso está ligado ao lance de que a maturidade não pode nos embrutecer diante dos fenômenos que nos cercam, pois, afinal, poucas são as verdades universais. O amor, por exemplo, é algo que maturidade alguma poderá suprir por completo. Ela poderá até criar um mecanismo de preenchimento sintético para aquela brecha, que temos, destinada ao amor, mas a artificialidade não suprirá a complexidade orgânica. E a falta da prática amorosa nos fará completamente melancólicos, e, logo, pouco maduros. Tenho amores tão grandiosos em mim. E eles ora me fazem mais melancólico, ora me distraem dela. Os mesmo amores. Mostrando que a melancolia não me constitui, mas existe em mim como os amores que tenho.&lt;br /&gt;Amo o João, amo o Renan, amo minha mãe, amo o Du, amo a Paula, amo a Cássia, amo a Dani, amo a Vi, e amo... tanto nessa vida. E, no entanto, sou melancólico, vezououtra, por cada um deles. Isso não quer dizer que sou triste. Agora, estou só um pouco melancólico. Mas, nem a tristeza nem a melancolia são inerentes a mim.&lt;br /&gt;As obras de todos que citei aqui tem um pouco disso. Leonilson, Bourgeois, Thais, Bandeira. Marca de que não estou sozinho neste mundo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-5108342818181915489?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/5108342818181915489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=5108342818181915489&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5108342818181915489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/5108342818181915489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/sim-melancolia-est-em-mim.html' title='Sim, a melancolia está em mim!'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-2925556867633376678</id><published>2007-12-16T16:03:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T16:09:43.618-08:00</updated><title type='text'>Profundamente aDORmecido</title><content type='html'>Profundamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ontem adormeci&lt;br /&gt;Na noite de São João&lt;br /&gt;Havia alegria e rumor&lt;br /&gt;Vozes cantigas e risos&lt;br /&gt;Ao pé das fogueiras acesas.&lt;br /&gt;No meio da noite despertei&lt;br /&gt;Não ouvi mais vozes nem risos&lt;br /&gt;Apenas balões&lt;br /&gt;Passavam errantes&lt;br /&gt;Silenciosamente&lt;br /&gt;Apenas de vez em quando&lt;br /&gt;O ruído de um bonde&lt;br /&gt;Cortava o silêncio&lt;br /&gt;Como um túnel.&lt;br /&gt;Onde estavam os que há pouco&lt;br /&gt;Dançavam&lt;br /&gt;Cantavam&lt;br /&gt;E riam&lt;br /&gt;Ao pé das fogueiras acesas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Estavam todos dormindo&lt;br /&gt;Estavam todos deitados&lt;br /&gt;Dormindo&lt;br /&gt;Profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha seis anos&lt;br /&gt;Não pude ver o fim da festa de São João&lt;br /&gt;Porque adormeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo&lt;br /&gt;Minha avó&lt;br /&gt;Meu avô&lt;br /&gt;Totônio Rodrigues&lt;br /&gt;Tomásia&lt;br /&gt;Rosa&lt;br /&gt;Onde estão todos eles?&lt;br /&gt;— Estão todos dormindo&lt;br /&gt;Estão todos deitados&lt;br /&gt;Dormindo&lt;br /&gt;Profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Texto extraído do livro "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001, pág. 81.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz uns dias já que tenho pensado em ir a um psiquiatra. Aliás, eu acho que as pessoas vão cada vez mais aos psiquiatras. Será que isso tudo é só um plano de marketing muito bem feito, e nós sentimos necessidade, de repente, de irmos ao psiquiatra movidos por uma espécie de consumo fundamentalmente íntimo despertado por alguma mensagem subliminar do além? Será que eles têm parte com...? Sei lá, pode ser que sim. Mas o fato é que tenho sentido em mim um descontrole. E o descontrole, a não ser em relação ao meu humor, não costuma fazer parte de mim. Mas meu descontrole não é psicopático, nem um grande risco para a sociedade. De modo que não tenho saído por aí destruindo a cidade, e nem mesmo atirando com uma 38 comprada em mercado negro. Meu descontrole é bem mais íntimo e constrangedor, e é movido por uma ansiedade que em algum lugar dentro de mim encolhe-se sorrateiramente, mas, na hora certa, transforma-se em um elefante desequilibrado, em um fera devoradora. Meu descontrole é docinho de tudo. Ele faz-se numa transbordante lata de leite condensado, que geralmente ganha um toque de creme de leite e uma colher bem cheia de Nescau, do novo de latinha estilosa. Basta lembrar de algo ligeiramente terrível para que eu vá até a cozinha preparar o meu calmante de 8 milhões de calorias.&lt;br /&gt;Tudo bem, pode até ser meio engraçadinho. Mas é tão estranho estar diante de algo que não se pode controlar. É tão angustiante saber que se eu não repetir aquela rotina, na hora exigida por algo que sou eu mesmo, pensamentos intrusos começam a me consumir fazendo-me acreditar que estou errado e que o prazer é o mais importante que tudo. Intriga-me. Afinal de contas sou eu contra mim mesmo. E pode isso? Sermos dois e não um. Será normal? É tão duro de entender...&lt;br /&gt;Bem, mas o que me resta é que a alegria que busco na mistura mágica é tão fugaz quanto doce. E percebo que, na verdade, com isso eu busco revestir mais um espaço em mim tomado pela tristeza. A dor do existir é quase tão aguda quanto a Meredith Monk. E as suas conseqüências, em mim, têm sido mais doces do que posso suportar, vezenquando. Não entendo o porquê de querer um prazer para me alegrar quando a sua efemeridade só reafirma a dor. E, além de tudo, como disse uma amiga amada, a alegria não é nada pedagógica, então porque essa busca que de tão avançada torna-se física?&lt;br /&gt;Ah, amiga amada, como seria bom o seu sal aqui em mim, não me salvando, porque, afinal de contas, nem sabemos se as coisas têm salvação, mas me acalentando, assim como eu gostaria de fazer contigo. Um sal com gosto de tempo antigos, com gosto da leveza do tempo em percebíamos, um no outro, quando havíamos cortado os cabelos. Um sal Profundamente salgado, para que pudesse esquecer um pouco desse doce que me consome agora. Um sal que pudesse me despertar para aquele adormecido equilíbrio, quando ainda não precisava pensar na saúde, nem no dinheiro para a comida. Ah, porque tudo adormeceu profundamente? Já descobriu Bandeira?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-2925556867633376678?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/2925556867633376678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=2925556867633376678&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2925556867633376678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2925556867633376678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/profundamente-adormecido.html' title='Profundamente aDORmecido'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-1829193439880400112</id><published>2007-12-16T16:01:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T16:03:10.131-08:00</updated><title type='text'>Tenho medo da morte sim!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rvp-nxEJ6x8/R2W8XseeCNI/AAAAAAAAAAM/I7qdCc5yaSY/s1600-h/foi+tarde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144725264602630354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rvp-nxEJ6x8/R2W8XseeCNI/AAAAAAAAAAM/I7qdCc5yaSY/s320/foi+tarde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A idéia de morte tem me cercado. Aliás, ela nos cerca a todos, inevitavelmente. Mas tenho notado que, a mim, sem perceber, a morte vem se mostrando cada vez mais, em ausências e presenças entre mim e o outro.&lt;br /&gt;Mas como não? A cada ciclo, ainda que fragmentado, notamos um fim, uma morte. Afinal, fim e morte estão ali, conjuminados. A morte, então, deixa de ser simplesmente um todo fatal e definitivo, e constitui-se por inúmeras perdas e fins que nos orientam cotidianamente.&lt;br /&gt;As vezes, a morte de algo designa um salto no plano das conquistas. A morte de um momento configurado pela angústia pode indicar a superação. Nesse caso, a morte é força de vida, ou pulsão de vida, ainda que paradoxalmente. Porém, a transformação, que conduz de um momento até o outro, também mostrará a força da morte. A morte de algo quase nunca é pouco significativo/representativo. Inclusive a passagem de um momento de angústicas para outro livre dela pressupõe a dor da perda, que será sempre o inchaço do corpo se adaptando ao novo formato.&lt;br /&gt;Agora, a morte das morte todas, entendida como fim definitivo, ainda que de uma vida terrena e blá-blá-blá, é de uma crueldade aterradora. Pensar sobre a impossibilidade de realização, ainda que a realização não pressuponha grandes fatos, é de uma angústia aguda. Presenciei  a morte de meu avô dia desses e, diante da materialização do fato, senti uma coisa estranha, uma sensação de que a morte deveria ser algo mais triunfal que aquela. Mas tudo o que cerca a cerimônia, o ritual de despedida, o abandono e adeus do corpo, o fim da ciclo biológico e o início da degradação do corpo físico, causou-me questões que só depois se concatenaram. Aquele pouco que senti inicialmente tranformou-se num vazio sem nome. Um vazio escuro, uma falta de sentido.&lt;br /&gt;Isso tudo me lembrou que, um dia desses, disse ao Du e à Paula que não tinha medo da morte. Retomo aqui para dizer que mudei de idéia e constatei que o medo que se constrói entorno da morte me assombra também. A angústia diante de toda mudança, inclusive a minha ida à Porto Alegre, me faz desordenado, penso, então, na idéia da morte como fim absoluto: terrível pavor.&lt;br /&gt;Lembrei também da peça teatral, da qual cito a foto acima, dirigida pela amiga Thais D'Abronzo, que discorre sobre o mesmo tema. "Foi tarde" parte da discussão ontológica suscitada por A morta, do genial Oswald de Andrade, e a partir dessa linha propõe seqüências imagético-líricas que conduzem, por quase todo o tempo, para essa angústia diante da morte que falei a pouco. A construção da dramaturgia, das grandes riquezas da peça, faz-se como uma costura que vai se despregando aos poucos do tecido causando o temor do fim que terá, e esse fim que se espera não chega nunca, constituindo a angústia da espera por ele como a base dramatúrgica. As intensidades dramáticas do estar diante da morte, assim como já escreveu Cruz e Sousa, são demostradas sinestésicamente por ações físicas sintonizadas numa energia constante que transfere para toda a sala de espetáculo um incômodo inevitável. É o incômodo da dor da perda, da constatação do quão inevitável ela é.&lt;br /&gt;Notei que agora a peça faz ainda mais sentido a mim, como acontece diante do amadurecimento do homem em relação às coisas do mundo. Talvez porque a minha proximidade com a morte esteja maior, talvez porque ela tenha me cercado, talvez porque logo estarei longe da Thais, e terei dificuldades em ver suas peças. Talvez porque esteja próximo de me distanciar dos meus amigo todos, talvez... Ai que medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;*Imagem: Espetáculo "Foi Tarde", by Camila Fontes&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-1829193439880400112?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/1829193439880400112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=1829193439880400112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1829193439880400112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1829193439880400112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/tenho-medo-da-morte-sim.html' title='Tenho medo da morte sim!'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rvp-nxEJ6x8/R2W8XseeCNI/AAAAAAAAAAM/I7qdCc5yaSY/s72-c/foi+tarde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-2136360509906502741</id><published>2007-12-16T15:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T15:59:28.480-08:00</updated><title type='text'>Se você sonha com nuvens</title><content type='html'>&lt;a href="http://www2.uol.com.br/leonilson/images/01b.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www2.uol.com.br/leonilson/images/01b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não acredito que passei tanto tempo sem conhecer o Leonilson. Já havia reparado em uma ou outra coisa, mas foi meu professor, Danilo Vila, no ano passado, quem o apresentou de forma grandiosa para mim. Foi tão lindo ouvir o Danilo falando sobre as obra de Leonilson que até me lembro das análises. Lembro que vimos um vestido branco, e que observamos a poesia da barra dele. Eu acho que nunca esquecerei essa obra. Trata-se de um vestido de voile, costurado de modo quase geométrico, muito simplesmente, e com um barrado bordado dizendo o mesmo título da obra: O que você desejar, o que quiser, eu estou aqui, pronto para servi-lo. Meu Deus, isso é da Idade Média! Mas como negar que é das coisas mais lindas do mundo. Porque não é submissão. É entrega... e é tão lindo entregar-se a alguém.&lt;br /&gt;Logo depois do curso do Prof. Danilo fui a São Paulo e encontrei o livro Leonilson: São tantas verdades. Vi num sebo, entrei por acaso, numa certa pressa, perto da Av. Paulista. E, de repente, olhando todas aqueles montes de picassos, davincis, vi o Leonilson. Fiquei mais comovido do que se tivesse comprado numa loja de livros novos. Fui pra casa lendo...apaixonei-me, mais. Depois, também comprei o livro de desenhos, que foram publicados na Folha de São paulo, num sebo de Londrina. Ele é incrível.&lt;br /&gt;Na obra que estou mostrando acima, vemos o símbolo cristão, a dor da separação (a frase escrita na vertical diz: a distância entre duas cidades) e a leveza e a pureza do branco e do bordado: Se você sonha com nuvens. Inacreditável como um símbolo, tão comum entre nós e com uma referência tão forte, pode ser ressignificado, dentro da essência da dor e do sofrimento, e ser tão doce ao mesmo tempo. Agora, lembrando também daquela saia, penso no quanto sentido essas obras fazem para mim. Nos rios que se abrem diante de sua sutil forma de dizer: eu-te-amo-e-estou-disposto-a-ficar-ao-seu-lado-para-sempre-haja-o-que-houver-contrarie-quem-for-só-basta-você-querer.&lt;br /&gt; * Imagem : Se você sonha com nuvens. Leonilson, 1991&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-2136360509906502741?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/2136360509906502741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=2136360509906502741&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2136360509906502741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2136360509906502741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/se-voc-sonha-com-nuvens.html' title='Se você sonha com nuvens'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-2899560393121071766</id><published>2007-12-16T15:50:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T15:55:09.365-08:00</updated><title type='text'>Jogos Perigosos</title><content type='html'>&lt;a href="http://paulosalvetti.zip.net/images/jogosleonilson.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ah, o amor...tão indispensável e, no entanto, tão raro e duro que, as vezes, dá-me vontade de negar o bem que poderá fazer. É tão paradoxal viver entre a solidão e a comunhão, que, em certos momentos, parece que a angústia é inerente a mim, e não aos estados da alma. Tão doce amar, parecerá ao solitário... Tão suave é a solidão, parecerá ao conjugado.&lt;br /&gt;Conjugar vidas, aliás, será mais difícil, por horas, do que verbos no subjuntivo.&lt;br /&gt;Ainda bem que as angústias serão seguidas pelos prazeres... É verdade, não é?&lt;br /&gt;Leonilson?, você está aí? Oh my good!?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-2899560393121071766?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/2899560393121071766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=2899560393121071766&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2899560393121071766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/2899560393121071766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/jogos-perigosos.html' title='Jogos Perigosos'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-1484950591418336681</id><published>2007-12-16T15:48:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T15:49:59.565-08:00</updated><title type='text'>A dor do coração exposto</title><content type='html'>&lt;a href="http://www2.uol.com.br/leonilson/images/voila.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www2.uol.com.br/leonilson/images/voila.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leonilson falou sobre ele, no entanto, isso tudo não é marcado pela vitimização do homem. Leonilson vai muito além da vítima de uma epidemia. Leonilson aborda o sublime da dor que o toma e volve seus sentidos para a simplicidade do dizer um pouco da verdade do que ele intimamente é. Sua obra é uma abertura despudorada de uma realidade subjetiva. Essa abertura fica bastante iconizada em “Voilà mon coeur”, que se constitui em uma base de feltro na qual são bordados diversos cristais. Os cristais não cumprem uma ordenação metódica, nem os bordados sequer demonstram uma representação ou analogia com a realidade. Notamos os sentidos pela sugestão maior de oferecimento do sujeito para o espectador da obra. A obra em si torna-se uma espécie de ligação do artista ao mundo, mostrando para aqueles que fruem o que ele tem de mais precioso: seu coração. Aqui meu coração (tradução no título da obra), oferecido para quem quiser ler. São as preciosidades da própria intimidade do artista que ele busca mostrar, promovendo uma relação de gigantesca proximidade e emoção na tríade autor-obra-espectador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-1484950591418336681?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/1484950591418336681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=1484950591418336681&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1484950591418336681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/1484950591418336681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/dor-do-corao-exposto.html' title='A dor do coração exposto'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-6170021118948314515</id><published>2007-12-16T15:46:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T15:48:18.632-08:00</updated><title type='text'>sherman´s destruction of the dream</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/arquivos/Sherman,Cindy-Untitled_Film_Still_no153-1985.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/arquivos/Sherman,Cindy-Untitled_Film_Still_no153-1985.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao mesmo tempo a suavidade, por conta dos contrastes de cores, e o horror, pela sugestão de morte. Pode-se apontar uma relação intertextual direta com a história de Charles Perrault, A bela Adormecida, e daí surgir a discussão temática da ambigüidade, entre morte e sonho. Mas tal processo não segue, obviamente, os padrões sugeridos pela própria história. As marcas de terra pelo corpo junto da irrupção cutânea reforçam não só a idéia de cadáver, mas também a idéia de que o corpo foi arrastado e está se degradando.Será a Bela que adormeceu pra sempre? E será que não existem príncipes?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-6170021118948314515?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/6170021118948314515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=6170021118948314515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/6170021118948314515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/6170021118948314515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/shermans-destruction-of-dream.html' title='sherman´s destruction of the dream'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4435836770965389752.post-4308028315000231266</id><published>2007-12-16T15:38:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T16:48:35.791-08:00</updated><title type='text'>Dores em teias de Bourgeois</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.saberweb.com.br/artistas-contemporaneos/images/louise-bourgeois.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.saberweb.com.br/artistas-contemporaneos/images/louise-bourgeois.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O tema da dor é meu negócio. Para dar significado e forma à frustração e ao mento. O que acontece com meu corpo deve receber um aspecto formal. Assim, você poderia dizer que a dor é o preço de resgate do formalismo.(...) Para mim, uma escultura é o corpo. Meu corpo é minha escultura (Bourgeois, apud Lagnado:1995, p. 69)&lt;br /&gt;Louise Bourgeois é um artista nascida na França e erradicada nos Estados Unidos, que direcionou seu trabalho para as discussões acerca da sua própria história e identidade. Trabalhou com uma variedade enorme de materiais compondo esculturas e instalações que mostraram toda sua irreverência ao discutir conceitos de âmbito social como a questão da mulher, por exemplo. Ao longo de sua vida, Louise sofreu uma série de situações traumáticas incluindo a substituição da mãe por uma madrasta, que conduziu sua formação de modo arbitrário. Além disso, Louise trabalhou, seguindo os modelos da família, com a tecelagem, o que também marcou de modo bastante representativos sua obra. As aranhas na produção da artista podem ser entendidas como uma metáfora dela própria, num trabalho metafórico de extensão de sua própria história para a composição das mesmas. É a aranha que, assim como ela, deve tecer suas teias para mostrar o peso de sua identidade em busca de proteção. Além desses, outros trabalhos também carregam o peso de uma história dolorosa em busca de sentidos e de iconizações.&lt;br /&gt;As dores de Louise também são nossas. Todo corpo dói, deforma-se e se reconstrói...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4435836770965389752-4308028315000231266?l=palavradoolhar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/feeds/4308028315000231266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4435836770965389752&amp;postID=4308028315000231266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/4308028315000231266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4435836770965389752/posts/default/4308028315000231266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavradoolhar.blogspot.com/2007/12/dores-em-teias-de-borgeois.html' title='Dores em teias de Bourgeois'/><author><name>Paulo Salvetti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06931537043109351403</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
